Tipos de cobertura de borracha para correias transportadoras: qual escolher?
Índice do conteúdo

A cobertura de borracha de uma correia transportadora deve ser escolhida de acordo com aquilo que ela realmente enfrenta durante a operação.
Abrasão, impacto, temperatura, presença de óleo, umidade, contato com determinados produtos e características do material transportado podem exigir coberturas diferentes.
Por isso, duas correias com a mesma largura, comprimento e número de lonas podem utilizar borrachas externas diferentes.
A cobertura é a parte da correia que fica exposta ao material transportado e ao ambiente. Sua função é proteger a estrutura interna contra desgaste e outras agressões presentes na operação.
Mas existe uma diferença importante que precisa ficar clara desde o início:
cobertura e carcaça não são a mesma coisa.
A cobertura protege. A carcaça fornece grande parte da resistência estrutural da correia.
Entender essa separação evita um dos erros mais comuns na hora de comprar uma correia transportadora.
Cobertura e carcaça: qual a diferença?
Uma correia transportadora de borracha normalmente é formada por diferentes camadas.
Na parte externa ficam as coberturas de borracha.
Internamente está a carcaça, que pode utilizar lonas têxteis e outras configurações de reforço conforme a aplicação.
De maneira simplificada:
Cobertura: fica exposta ao material e ao ambiente e ajuda a proteger a estrutura contra abrasão, impacto, calor, óleo e outras condições.
Carcaça: é a estrutura resistente da correia e participa dos esforços de tração, flexão e movimentação da carga.
Essa diferença é importante porque aumentar a resistência da cobertura não significa automaticamente aumentar a resistência estrutural da correia.
Da mesma forma, utilizar uma carcaça mais robusta não resolve sozinho um problema de desgaste superficial.
Em aplicações pesadas, por exemplo, pode ser necessário combinar uma boa proteção externa com uma estrutura interna adequada. É justamente o que acontece em muitas correias transportadoras reforçadas.
Para entender a parte interna em mais detalhes, veja também o conteúdo sobre carcaça da correia transportadora.
Quais são os principais tipos de cobertura de borracha?
Não existe uma única cobertura ideal para todas as operações.
A escolha começa pelo material transportado e pelas condições presentes no equipamento.
Na prática, algumas das situações mais comuns são abrasão, calor, presença de óleo ou produtos químicos e aplicações relacionadas ao transporte de grãos.
Cobertura para alta abrasão
A abrasão ocorre quando o material transportado provoca desgaste contínuo na superfície da correia.
Isso é comum em operações com produtos como:
- brita;
- areia;
- minério;
- calcário;
- agregados;
- determinados resíduos;
- outros materiais de ação abrasiva.
Nessas aplicações, uma cobertura inadequada pode perder material mais rapidamente, diminuindo sua espessura ao longo do uso e deixando a carcaça cada vez mais próxima da superfície.
No catálogo da JLS, a classificação AB, de alta abrasão, é apresentada para aplicações que exigem maior resistência ao desgaste superficial e ao impacto.
Isso não significa que toda operação com material abrasivo deva utilizar exatamente a mesma cobertura.
Granulometria, peso, velocidade, altura de queda e intensidade de utilização também interferem na escolha.
Em operações com carga elevada e condições mecânicas severas, a cobertura precisa ser analisada junto com a estrutura das correias transportadoras reforçadas.
Cobertura para condições de abrasão mais severas
Existem situações em que o desgaste é ainda mais agressivo.
No catálogo da JLS também aparece a classificação EA, de extra abrasão, destinada a condições mais severas de abrasão e impacto.
É importante observar a diferença:
uma operação não deve receber uma cobertura mais robusta apenas porque “parece melhor”.
A especificação precisa ser proporcional à necessidade.
Se uma linha trabalha com material relativamente pouco abrasivo, escolher uma construção destinada a condições extremamente severas pode não trazer benefício proporcional.
Por outro lado, colocar uma cobertura inadequada em uma aplicação realmente agressiva pode acelerar o desgaste.
A melhor decisão começa pelo comportamento real do material sobre a correia.
Cobertura para altas temperaturas
Quando o produto chega quente à correia, a composição da borracha precisa levar essa condição em consideração.
O calor pode favorecer problemas como:
- ressecamento;
- endurecimento;
- fissuras;
- trincas;
- deterioração da superfície;
- perda das propriedades esperadas da cobertura.
No catálogo da JLS, a classificação AT é relacionada às aplicações de alta temperatura.
Mas a seleção não deve ser feita apenas perguntando “quantos graus a correia suporta”.
É necessário analisar temperatura habitual, picos, tempo de exposição, material transportado e demais condições da operação.
Esse assunto merece uma análise própria, por isso a JLS possui um conteúdo específico sobre correias transportadoras para altas temperaturas.
Se a sua principal dúvida é calor, vale seguir para esse guia em vez de escolher apenas pela espessura da correia.
Cobertura para contato com óleo
Óleo é outra condição que precisa ser informada antes da compra.
Nem toda borracha utilizada em correias transportadoras deve ser tratada como se tivesse o mesmo comportamento quando exposta continuamente a substâncias oleosas.
Dependendo do produto, essa exposição pode afetar as características da cobertura.
No catálogo da JLS aparece a classificação OAN, relacionada a aplicações envolvendo óleos e ácidos e utilizando formulação específica para esse tipo de contato.
Por isso, ao pedir uma correia, não diga apenas que existe “óleo” no ambiente.
Informe:
- qual produto entra em contato com a correia;
- se o contato é eventual ou contínuo;
- se o óleo vem do próprio material transportado;
- se existe também contato com produtos químicos;
- qual é a temperatura da operação.
Quanto mais específica for a informação, melhor pode ser a análise da aplicação.
Cobertura para transporte de grãos
O agronegócio possui condições particulares.
Além do próprio grão, podem existir óleos vegetais, resíduos da cultura, poeira, umidade e produtos utilizados durante diferentes etapas de processamento e armazenamento.
O catálogo da JLS apresenta a classificação TG, destinada ao transporte de grãos, relacionada também à resistência a condições encontradas nesse tipo de aplicação.
Isso mostra por que uma correia utilizada em um silo ou unidade de beneficiamento não deve ser escolhida apenas pela medida.
É necessário considerar o produto transportado e o ambiente.
Para entender outras aplicações do setor, veja também o conteúdo sobre correias transportadoras no agronegócio.
E quando existe umidade ou exposição ao tempo?
Umidade é uma condição importante, mas não deve ser tratada apenas como “escolher uma borracha para água”.
Em uma linha úmida, diferentes problemas podem aparecer ao mesmo tempo.
A água pode alterar a aderência do material sobre a correia, facilitar acúmulo de sujeira, aumentar o retorno de material e contribuir para problemas em componentes metálicos do transportador.
Por isso, além da cobertura da correia, é necessário observar:
- inclinação;
- aderência necessária;
- limpeza;
- raspadores;
- saias;
- vedação;
- condição dos roletes;
- acúmulo de material.
A JLS possui um conteúdo específico sobre correias para ambientes úmidos, que aprofunda essa situação.
Se a correia trabalha ao ar livre, também vale informar chuva, exposição solar, poeira e outras condições ambientais durante a cotação.
Relevo, talisca e superfície corrugada são cobertura?

Aqui existe uma diferença que costuma gerar confusão.
A composição da borracha é uma característica.
O formato da superfície é outra.
Uma correia pode, por exemplo, possuir uma cobertura adequada ao material e ao mesmo tempo apresentar um desenho superficial específico para ajudar no transporte.
É o caso de soluções com:
- relevo em V;
- taliscas;
- superfície corrugada;
- outras configurações destinadas a aumentar retenção ou aderência.
Isso costuma ser relevante principalmente em trajetos inclinados.
Se o problema da operação é o material voltando pela rampa, talvez a discussão não seja apenas sobre a composição da cobertura, mas também sobre o formato da superfície.
Nesse caso, consulte as correias transportadoras em V.
Cobertura mais grossa significa cobertura melhor?
Não necessariamente.
Uma cobertura mais espessa oferece mais material disponível antes que o desgaste alcance a estrutura interna.
Mas isso não significa que ela seja automaticamente a melhor solução.
Imagine duas correias:
uma possui cobertura mais grossa, mas um composto inadequado para a aplicação;
outra possui espessura corretamente dimensionada e uma composição compatível com o material transportado.
Olhar somente para milímetros pode levar a uma escolha errada.
Além disso, a espessura total da correia inclui cobertura e carcaça.
Por isso, duas correias com a mesma espessura total podem possuir estruturas bastante diferentes.
A JLS explica esse ponto no artigo sobre espessura da correia transportadora.
Como saber qual cobertura escolher?
Comece respondendo algumas perguntas sobre a operação.
O que a correia transporta?
Minério, brita, caixas, grãos, fertilizante, areia, resíduos ou outro material?
Existe abrasão?
O material desgasta rapidamente superfícies que entram em contato com ele?
Existe impacto?
O produto cai de determinada altura sobre a correia?
Existe temperatura elevada?
Informe tanto a temperatura habitual quanto os maiores picos observados.
Existe contato com óleo ou produtos químicos?
Explique qual substância está presente e com que frequência.
Existe umidade?
A correia trabalha molhada, recebe chuva ou movimenta produto úmido?
Qual é o trajeto?
Horizontal, inclinado ou vertical?
A operação é leve ou pesada?
Carga, comprimento, capacidade e intensidade de funcionamento também precisam ser considerados.
Essas respostas ajudam a separar o que é uma necessidade da cobertura e o que é uma necessidade da estrutura da correia.
Se você ainda estiver no início da escolha, consulte também o guia sobre qual tipo de correia transportadora escolher.
Um exemplo: minério abrasivo em uma operação pesada
Imagine uma esteira transportando minério.
O material provoca forte desgaste sobre a superfície.
Nesse caso, a cobertura precisa ser compatível com a abrasão.
Mas isso não significa que escolher apenas uma boa cobertura resolva toda a aplicação.
Se a correia também trabalha com:
- grande carga;
- impacto na alimentação;
- percurso extenso;
- alta tensão;
- operação contínua;
a carcaça também precisa ser dimensionada para esses esforços.
É justamente por isso que cobertura e carcaça devem ser analisadas separadamente e depois combinadas na especificação final.
Uma cobertura resistente protege a correia externamente.
Uma carcaça adequada fornece a estrutura necessária para a operação.
Para aplicações desse tipo, consulte também as correias transportadoras reforçadas.
O desgaste da cobertura também ajuda a identificar problemas
Observar como a borracha está sendo consumida pode fornecer pistas sobre a operação.
Se o desgaste é uniforme ao longo da região de transporte, ele pode estar relacionado ao contato normal com material abrasivo.
Mas se existe desgaste muito concentrado:
- apenas de um lado;
- somente no centro;
- em uma região próxima ao carregamento;
- nas bordas;
- próximo da emenda;
pode existir outro problema além da escolha da cobertura.
Desalinhamento, alimentação fora do centro, roletes com problemas, raspadores mal ajustados ou impacto excessivo também podem acelerar o desgaste.
Por isso, nem sempre trocar por “uma borracha mais resistente” resolve a causa.
Como pedir uma correia sem saber o nome da cobertura?
Você não precisa chegar à JLS dizendo exatamente qual código de cobertura precisa.
Na prática, é mais útil explicar a aplicação.
Envie, sempre que possível:
- material transportado;
- largura da correia;
- comprimento;
- espessura atual;
- número de lonas, se conhecido;
- temperatura;
- presença de óleo ou produtos químicos;
- nível de abrasão;
- condição de umidade;
- inclinação;
- fotos da correia e do equipamento.
Com essas informações, o atendimento pode partir da aplicação real em vez de simplesmente repetir uma especificação antiga.
Para conhecer as opções apresentadas pela empresa, você também pode consultar o catálogo de correias transportadoras da JLS.
Escolha da cobertura começa pelo que a correia enfrenta
Não existe uma cobertura de borracha que seja a melhor para todas as correias transportadoras.
Para materiais abrasivos, o desgaste superficial ganha importância.
Em aplicações quentes, o composto precisa ser compatível com a temperatura.
Onde existem óleos ou determinadas substâncias químicas, essa condição precisa entrar na especificação.
Em ambientes úmidos, cobertura, aderência, limpeza e componentes do transportador precisam ser analisados em conjunto.
E em qualquer uma dessas situações, a cobertura continua sendo apenas uma parte da correia.
Carcaça, lonas, espessura, dimensões e características do equipamento também precisam trabalhar de forma compatível.
Se sua empresa precisa substituir ou especificar uma correia, reúna as informações da operação e fale com a JLS Correias. Fotos, medidas e dados do material transportado já ajudam a iniciar a análise e a cotação.




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